"A natureza me tirou a audição aos poucos, ao longo de 18 anos... Mas na caminhada da vida eu encontrei a Libras e fui descobrindo que com ela eu teria namorado, ótimos amigos, muita diversão, muito aprendizado, desenvolvimento profissional e pessoal. Hoje a minha vida gira em torno da Língua de Sinais, não sei mais viver sem ela, pois está na minha alma, nos meu sonhos, na minha personalidade, na minha Identidade Surda." (Mariana Hora, 2010)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Denúncia

Brasil: que país é esse?!

Eu amo meu país e meu estado (PE), mas hoje eu tô revoltada demais, preciso desabafar com vocês, dois acontecimentos seríssimos.

Ontem (14/03/2012), eu chego no Terminal de Integração da Macaxeira, como de costume cumpro meu dever de apresentar a carteira de Livre Acesso ao cobrador que estava na biliteria e o mesmo imediatamente liberou o meu acesso pelo portão. Na frente do portão havia um homem (sem farda e sem qualquer identificação visual de que era funcionário do Grande Recife) passei por ele e continuei meu trajeto em direção ao ponto do ônibus... Mas não andei nem 3 metros, fui puxada violentamente por trás pela alça da minha mochila que estava nas costas. Quando virei o rosto para trás vi aquele homem com uma cara raivosa, começou a falar reclamando comigo ( não entendi as palavras que ele falou), imediatamente fiz o sinal que era surda e logo percebi que o guarda da empresa de segurança privada já estava próximo de mim. Quando disse que era surda eles mudaram a expressão, perceberam que tinham errado. O homem sem farda fez o gesto para eu mostrasse a carteira pra ele, peguei a carteira e mostrei, mas ao mesmo tempo reclamei com ele por estar sem a farda e sem o crachá, aí ele falou que o crachá estava guardado na bolso da calça.
Na hora fiquei tão perturbada que nem pensei em exigir ver nome dele no crachá. É um absurdo o Grande Recife colocar pessoas sem nenhum treinamento para ficar fiscalizando a entrada da pessoas com deficiência. A fiscalização deve ser feita sim, mas da forma adequada, com funcionários treinados e devidamente identificados visualmente para que os surdos possam reconheceê-los.

Hoje (15/03/2012), chego na plataforma do metrô da estação Joana Bezerra às 6h da manhã, me deparo como de costume com uma multidão a espera do trem, a maioria são homens, fortes, mas famintos por uma cadeira livre para sentar. Quando chega o trem, eu, educadamente, fico atenta ao movimento da idosa que estava na minha frente para não machucá-la... E o que acontece comigo?! Fui empurrada violentamente para dentro do trem por uns 3 homens que estavam atrás de mim (não consegui identificá-los, pois se infiltram dentro da multidão). Fui jogada contra os ferros do corrimão, machuquei um pouco meu pulso e fiquei assustada com tanta falta de respeito.

Caramba, eu acordo às 4h da manhã para ir trabalhar, servir a sociedade, e é isso que recebo de volta: negligenciada e violentada pelo Estado e pela sociedade.
Minha indignação maior não é só porque aconteceu comigo, mas porque sei que isso acontece todos os dias com idosos, crianças, mulheres e pessoas com deficiência....

Gente, quando acontecer essas coisas denunciem, porque se não brigarmos por nossos direitos, a situação só vai piorar :/

Ainda hoje vou encaminhar estas minhas denúncias ao Grande Recife, ao Metrorec e ao CONED-PE.

Um comentário:

  1. É muito difícil ler tuas palavras e não ficar indignada também. A falta de respeito de algumas pessoas não tem explicação nenhuma. Todos temos que promover uma mobilização sim. Concordo com você Mariana, ficar calada não dá. Parabéns pela sua luta, estou com você nesta caminhada. Bjs!

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