Eu nasci um dia antes da promulgação da Constituição Federal do Brasil, em
1988. Esse documento, que é um marco importantíssimo na História brasileira, anos
mais tarde se transformaria em um instrumento de luta presente na minha vida
como cidadã e como profissional.
Fui um bebê muito paparicado e amado. Estava crescendo, os sons entravam
pelos meus ouvidos e eu os reconhecia, até que começou a chegar a
minha voz, naturalmente, como qualquer outra criança ouvinte.
Quatro anos mais tarde, eu já não percebia mais todos os sons que entravam
nos meus ouvidos, mas eu era tão inocente que nem percebi. Quando meus
familiares perceberam, veio o diagnóstico de médicos e fonoaudiólogos “Ela tem
um probleminha nos ouvidos, é deficiente auditiva”. As lágrimas rolaram no
rosto da minha mãe e uma tempestade de dúvidas entrou na cabeça da minha família:
“Ela precisa ir pra uma escola especial? Ela tem que aprender “gestos”?”.
As respostas que os “profissionais” deram foi: Não, escola especial de
jeito nenhum, ela tem que continuar na escola que ela está (escola regular de
ouvintes)... ela não deve aprender gestos, ela já fala, se aprender gestos vai
ter preguiça de falar... ela não precisa de gestos, só precisa de aparelhos
auditivos.”
Algum tempo depois comecei a usar um aparelho auditivo... me adaptei rápido
àquela máquina, eu realmente ainda era meio ouvinte. Os anos foram passando,
minha audição foi diminuindo e fui ficando cada vez mais dependente dos
aparelhos auditivos. Eu me aceitava do jeito que eu era, não tinha vergonha de
ser “deficiente auditiva”, nem de usar os aparelhos. Mas eu vivia muito
sozinha, tinha poucos amigos, quase não saia... isso fez muita falta na adolescência.
Várias vezes nas ruas ou nos ônibus eu vi surdos sinalizando, me deu
vontade de conhecer aquele tipo de comunicação, eu queria conhecer pessoas
surdas, como eu...
Depois que passei no vestibular da UFPE, comecei a aprender Libras num
curso básico voltado para ouvintes, me apaixonei rapidamente quando descobri
complexidade dessa língua.
Não parei mais de estudar... aos poucos fui encontrando com surdos... Até
que um dia encontrei aquele que seria, uns 3 meses depois, meu primeiro
namorado. Foi ele que me levou para a Comunidade Surda.
E foi aí que comecei a despertar dentro de mim a minha Identidade que
estava guardada, a Identidade de uma mulher que tem ORGULHO de SER SURDA e de
usar a Libras.
Hoje estou formada em Serviço Social, uma profissão apaixonante, complexa,
contraditória...
Além de ser Assistente Social também gosto de dar aulas de Libras e de ensinar Português escrito pra surdos, para isso tô sempre buscando me aperfeiçoar
e pretendo cursar graduação em Letras/Libras ou Pedagogia Bilíngue.
Sou militante assumida do Movimento Surdo, não consigo ficar quieta diante
de tanta falta respeito com os direitos das pessoas.... A partir de 2011 passei assumir algumas responsabilidades na comunidade surda: vice-coordenadora da Pastoral dos Surdos de Recife; Diretora Administrativa da Federação Pernambucana Desportiva de Surdos (FPEDS); E Líder Mobilizadora do Movimento Surdo Nacional (Defendendo as Escolas Bilíngues para Surdos);
Agora em 2012, passo a assumir um grande desafio: a Diretoria da Regional da Feneis em Pernambuco. Resgatar o valor e a importância dessa entidade é a minha maior missão de militante a partir de agora!
Agora em 2012, passo a assumir um grande desafio: a Diretoria da Regional da Feneis em Pernambuco. Resgatar o valor e a importância dessa entidade é a minha maior missão de militante a partir de agora!
E a vida não para... estamos na luta por mais respeito, acessibilidade e
educação de qualidade pra surdos.
Hoje tenho 23 anos de idade, e gostaria de dizer a vocês que os últimos 5
anos foram os melhores da minha vida, porque conquistei autonomia, coragem e
sobretudo descobri a minha identidade, o meu SER. Descobri que sou um SER
SURDO. Antes eu era deficiente, diferente, especial, excepcional, hoje eu sou
simplesmente SURDA, e “grito” bem forte: SOU SURDA COM MUITO ORGULHO!
Obs: Esse texto é mutável, sempre que há algo novo o atualizarei.
Obs: Esse texto é mutável, sempre que há algo novo o atualizarei.
Historia emocional :)
ResponderExcluirAdmiro você a cada dia que conheço e que bom que descobriu essa identidade... antes tarde do que nunca! sei que podes fazer um grande diferencial na vida de muitos surdos e quero que saibas que podes contar comigo..SEMPRE! beijos fraternos da amiga e intérprete: Simone Lyra
ResponderExcluirmeu namorado tem vergonha de mim, pq eu sou surda
ResponderExcluireu tenho vergonha mim,pq eu sou surda estou triste muito..
ResponderExcluireu tenho vergonha mim,pq eu sou surda estou triste muito..
ResponderExcluirNão tenha vergonha Larissa vc é um ser humano como qualquer outro, ñ fique triste vc é amada!
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