"A natureza me tirou a audição aos poucos, ao longo de 18 anos... Mas na caminhada da vida eu encontrei a Libras e fui descobrindo que com ela eu teria namorado, ótimos amigos, muita diversão, muito aprendizado, desenvolvimento profissional e pessoal. Hoje a minha vida gira em torno da Língua de Sinais, não sei mais viver sem ela, pois está na minha alma, nos meu sonhos, na minha personalidade, na minha Identidade Surda." (Mariana Hora, 2010)
quarta-feira, 7 de março de 2012
História de "Jorge" - Um surdo vitíma do esquecimento do Estado
Leiam as reportagens a seguir para conhecer a história de "Jorge" um surdo, analfabeto (em Libras e em Português), que passou 3 anos preso e não tem referências de sua família.
http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2012/03/02/quem-e-jorge-34144.php - Data: 02/03/2012
http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2012/03/06/jorge-o-surdo-esquecido-pelo-poder-publico-ganha-liberdade-34658.php - Data: 06/03/2012
Tudo começou quando em uma noite sexta-feira, no mês de novembro de 2011, ocorria normalmente a aula do Curso de Formação de Instrutores de Libras no Centro de Apoio ao Surdo (CAS-PE), localizado na Escola Estadual Gov. Barbosa Lima. Cerca de 25 alunos surdos assistiam aula do professor Antônio Cardoso, quando uma professora ouvinte da Escola pediu licença e mostrando a foto de Jorge no celular perguntou se algum de nós o conhecia. Alguns alunos afirmaram já ter visto-o há alguns anos atrás, mas que não tinha informações sobre sua família.
Depois disso, o Conselheiro representante da FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos), Antônio Cardoso, relatou o caso no CONED-PE (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e, a partir daí a advogada Ana Borges, representante da OAB (mãe de uma surda), também Conselheira do CONED-PE, passou a se dedicar a solucionar o caso.
Agora, ainda estamos procurando a família do "Jorge" para que ele possa ter referências de sua história e seus documentos. Caso a família não seja encontrada, serão feitos novos documentos para ele através de ordem judicial, pois o Jorge precisa ter sua cidadania garantia, mesmo que seja tão tarde.
Como Representante da Feneis-PE agradeço a Antônio Cardoso, Nelson Valença, Jaqueline Martins, Ana Borges e demais membros do CONED-PE e das outras instuições envolvidas, pela dedicação a resolução este caso.
Caso alguém tenha alguma informação sobre a família de "Jorge", entre em contato conosco.
Atenciosamente
Mariana Hora
Comissão Provisória da FENEIS-PE
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
5 anos, surdo, sem língua
Há dois anos atrás conheci um garoto surdo e sua mãe no HGF, no setor de próteses. Ele tinha 3 anos e não não tinha língua alguma. Nem Português (claro!), nem Libras, pois a mãe seguia as orientações das fonoaudiólogas do HGF de não lhe permitir contato com Libras, tampouco matriculá-lo numa escola bilíngue. Lembro-me que insisti que ela fosse com ele conhecer o Filippo Smaldone. Não foram. Semana passada, voltei a encontrá-lo e à sua mãe. Continua sem língua alguma. Expressa-se com gritos e gestos. É como se tivesse alguma disfunção muito aguda (desculpem-me a atecnia das minhas expressões, não sei se está correto falar assim).
Naturalmente que crianças com deficiência intelectual na idade dele, que frequentam escolas e têm apoio familiar e profissional adequado, se expressam e se comunicam de formas muito mais elaboradas e adequadas. Estas últimas têm língua (o Português), pois participam de comunidades lusófonas (escola, família, vizinhança) que as ajudam a se desenvolver linguisticamente, psiquicamente, cognitivamente. Mas as crianças surdas, se lhe retiram a escola bilíngue, o contato diário e intensivo com outras crianças e adultos surdos (professores, pais de surdos de outras crianças surdas), então elas crescem com retardo em seu desenvolvimento linguístico, emocional, intelectual...
Desta última vez nós nos encontramos no Filippo Smaldone. O menino fez Implante Coclear, ativado há seis meses. A orientação da fonoaudióloga continua a mesma, agora com a promessa de que o IC vai realizar o que ela lhes tinha prometido há muito anos! O pequeno Hans (nome fictício) não sabe distinguir cores, comidas, brinquedos e colegas; não sabe contar o que fez no fim de semana ou expressar o que deseja fazer no próximo - coisa que toda criança surda sinalizante em sua idade sabe fazer muito bem! Sem nenhuma língua, sem ter amadurecido qualquer noção ou experiência de comunicação, o IC até agora não lhe possibilitou muita coisa em língua portuguesa (o máximo que conseguiu é ele recohecer seu nome, quando chamado pela mãe). Dessa vez, no entanto, a mãe pelo menos o matriculou no Filippo Smaldone...
Vejam que um crime muito sério foi cometido contra essa criança, que chegará aos 6 anos sem língua alguma e todo seu desenvolvimento comprometido. Responsabilidade disso: de profissionais da saúde, de professores, da família... e da atual política de inclusão educacional, que despreza a especificidade linguística do surdo e trata a língua de sinais como se fosse uma questão de "acessibilidade". Ora, língua não é prótese, não é rampa, não é cadeira de rodas; ninguém pensa pela rampa, pela prótese ou pela cadeira. As pessoas pensamos na língua, pela língua, com a língua. Sem língua, não há pessoa, não há sujeito. Matriculado no Filippo Smaldone, o pequeno Hans agora terá a chance de adquirir uma língua e adequar-se aos poucos ao desenvolvimento próprio à sua idade. Mas os anos anteriores, as experiências vividas que não vieram à língua, que não ganharam forma simbólica, esses anos aí estão irremediavelmente perdidos para Hans. Quem pagará por esse crime? E como deteremos os crimes semelhantes que estão sendo cometidos nesse momento, aos milhares, em todo o país?
Naturalmente que crianças com deficiência intelectual na idade dele, que frequentam escolas e têm apoio familiar e profissional adequado, se expressam e se comunicam de formas muito mais elaboradas e adequadas. Estas últimas têm língua (o Português), pois participam de comunidades lusófonas (escola, família, vizinhança) que as ajudam a se desenvolver linguisticamente, psiquicamente, cognitivamente. Mas as crianças surdas, se lhe retiram a escola bilíngue, o contato diário e intensivo com outras crianças e adultos surdos (professores, pais de surdos de outras crianças surdas), então elas crescem com retardo em seu desenvolvimento linguístico, emocional, intelectual...
Desta última vez nós nos encontramos no Filippo Smaldone. O menino fez Implante Coclear, ativado há seis meses. A orientação da fonoaudióloga continua a mesma, agora com a promessa de que o IC vai realizar o que ela lhes tinha prometido há muito anos! O pequeno Hans (nome fictício) não sabe distinguir cores, comidas, brinquedos e colegas; não sabe contar o que fez no fim de semana ou expressar o que deseja fazer no próximo - coisa que toda criança surda sinalizante em sua idade sabe fazer muito bem! Sem nenhuma língua, sem ter amadurecido qualquer noção ou experiência de comunicação, o IC até agora não lhe possibilitou muita coisa em língua portuguesa (o máximo que conseguiu é ele recohecer seu nome, quando chamado pela mãe). Dessa vez, no entanto, a mãe pelo menos o matriculou no Filippo Smaldone...
Vejam que um crime muito sério foi cometido contra essa criança, que chegará aos 6 anos sem língua alguma e todo seu desenvolvimento comprometido. Responsabilidade disso: de profissionais da saúde, de professores, da família... e da atual política de inclusão educacional, que despreza a especificidade linguística do surdo e trata a língua de sinais como se fosse uma questão de "acessibilidade". Ora, língua não é prótese, não é rampa, não é cadeira de rodas; ninguém pensa pela rampa, pela prótese ou pela cadeira. As pessoas pensamos na língua, pela língua, com a língua. Sem língua, não há pessoa, não há sujeito. Matriculado no Filippo Smaldone, o pequeno Hans agora terá a chance de adquirir uma língua e adequar-se aos poucos ao desenvolvimento próprio à sua idade. Mas os anos anteriores, as experiências vividas que não vieram à língua, que não ganharam forma simbólica, esses anos aí estão irremediavelmente perdidos para Hans. Quem pagará por esse crime? E como deteremos os crimes semelhantes que estão sendo cometidos nesse momento, aos milhares, em todo o país?
Autor: Emiliano Aquino (Originalmente publicado em seu facebook, em 19/02/2012)
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Defesa das Escolas Bilíngues para Surdos
Segue link onde constam os vídeos com os discursos e debates de surdos e ouvintes que participaram da Audiência Pública no MPF no dia 1º de dezembro de 2011, em Brasília.
Bom proveito.
Marcadores:
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movimento surdo,
vídeos
Apoio - Projeto FotoLibras
Estou divulgando para conhecimento de vocês.
Quem puder ajudar de alguma forma com esta atividade do Projeto FotoLibras, colabore e divulgue.
Todas as informações estão no site: http://www.benfeitoria. com/fotolibras
As doações podem ser a partir de 10 reais... cada doação vc ganha alguma coisa de "recompensa".
Se eles não conseguirem o valor necessário vão devolver o dinheiro às pessoas que doaram.
Empresas também podem ser patrocinadoras do Projeto.
Adeus 2011 - Bem-vindo 2012
O ano 2011 foi embora, mas muitos momentos vividos ficarão marcados para sempre na história.
Eu considero 2011 como o ano do fortalecimento do Movimento Surdo.
Diante da ameaça de fechamento da educação básica específica para surdos do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) - considerado o maior patrimônio da comunidade surda brasileira - surdos e ouvintes, familiares, amigos, professores, intérpretes se mobilizaram numa luta árdua durante todo o ano para defender o INES e as demais Escolas Bilíngues para Surdos.
Conseguimos algumas conquistas, mas a luta ainda não acabou.
2012 chegou e temos planos de não parar essa luta! Não vamos desistir de nosso sonho, de nosso direito!
Avante!
Eu considero 2011 como o ano do fortalecimento do Movimento Surdo.
Diante da ameaça de fechamento da educação básica específica para surdos do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) - considerado o maior patrimônio da comunidade surda brasileira - surdos e ouvintes, familiares, amigos, professores, intérpretes se mobilizaram numa luta árdua durante todo o ano para defender o INES e as demais Escolas Bilíngues para Surdos.
Conseguimos algumas conquistas, mas a luta ainda não acabou.
2012 chegou e temos planos de não parar essa luta! Não vamos desistir de nosso sonho, de nosso direito!
Avante!
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